Lisboa, 29 de maio de 2026 – Os resultados do novo Índice de Saúde Sustentável (IS²), uma iniciativa da AbbVie e da NOVA Information Management School, foram apresentados no passado dia 27 de maio, durante a 14.ª Conferência Sustentabilidade em Saúde, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Nesta edição, que contou com a presença do Presidente da República e da Ministra da Saúde, foram apresentados os resultados do Índice, que se situa nos 59,3 pontos, numa escala de 0 a 100, que nesta edição passa a incluir uma nova componente dedicada à Prevenção, permitindo uma avaliação mais abrangente da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Como habitualmente, Pedro Simões Coelho, professor catedrático da NOVA IMS, apresentou os resultados do estudo, que todos os anos avalia a sustentabilidade do SNS e o retorno económico do investimento em saúde. Para debater as conclusões, a discussão contou com Ana Jorge, ex-ministra da Saúde, e Mário Amorim Lopes, deputado da Iniciativa Liberal.
Numa altura em que o SNS enfrenta uma pressão crescente, associada ao envelhecimento da população, ao aumento da prevalência de doenças crónicas, à escassez de recursos humanos e financeiros e à rápida evolução tecnológica, os resultados mostram que, apesar de algumas dimensões apresentarem sinais positivos, persistem fragilidades importantes, sobretudo ao nível da acessibilidade e da sustentabilidade financeira.
Em 2025, registou-se um aumento substancial da despesa do SNS, de 9,1%, e uma subida de 31% no stock da dívida vencida, agravando a pressão financeira sobre o sistema. O estudo aponta ainda para uma ligeira redução da capacidade assistencial e para uma diminuição da acessibilidade técnica, que se mantém como uma das dimensões mais frágeis avaliadas.
No que diz respeito à nova componente de prevenção, os dados revelam que 73% dos portugueses afirmam ter realizado ações preventivas no último ano, sobretudo análises, consultas de rotina no SNS e exames de diagnóstico. O índice de capacidade preventiva situa-se nos 64,7 pontos, reforçando a importância da prevenção na sustentabilidade futura do sistema de saúde.
O estudo evidencia também o contributo económico e social do SNS. Em 2025, os cuidados prestados permitiram evitar perdas associadas ao absentismo laboral e à produtividade, traduzindo-se num retorno económico estimado de 10,2 mil milhões de euros. Os resultados reforçam, assim, o papel do SNS não apenas na prestação de cuidados, mas também na promoção do bem-estar da população e na geração de valor para o país.
“Os resultados deste ano mostram que a sustentabilidade do SNS não pode ser avaliada apenas pela despesa ou pela capacidade de resposta. O índice situa-se nos 59,3 pontos, num contexto em que persistem fragilidades relevantes no acesso e uma pressão financeira acrescida, mas também em que os portugueses reconhecem o impacto positivo do SNS na sua saúde, qualidade de vida e produtividade. A grande mensagem é que o futuro do SNS exige uma abordagem integrada: reforçar a prevenção, melhorar o acesso, investir na inovação e garantir que os recursos disponíveis se traduzem em ganhos efetivos para os cidadãos e para o país”, sublinha Pedro Simões Coelho, Professor da NOVA IMS e autor do estudo.
Sob o mote “Inovação no SNS: um motor de confiança?”, o segundo painel reuniu Catarina Baptista, Head of Health da NTT Data Portugal, Luís Goes Pinheiro, presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), e Pedro Gouveia, cirurgião e futurista da Fundação Champalimaud.
Embora 56% dos portugueses considerem que o SNS acompanha a evolução tecnológica na área da saúde, apenas 34% acreditam que os doentes em Portugal têm acesso atempado a novos medicamentos inovadores através do SNS. Ainda assim, 89% concordam que o investimento em inovação é essencial para garantir a sustentabilidade futura do sistema.
O estudo apresentado pode ser consultado na íntegra aqui.
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